Sobre looks e seus valores

por Alexia Chlamtac

Já leram o post incrível da Carla Lemos (modices) sobre looks do dia? Não, então vai lá e depois volta aqui. Leu? Então vamos continuar. Carla escreveu sobre a “inadequação” de alguns looks com a idade de algumas blogueiras. Meninas de 20 se vestindo como mulheres de 40. O texto me levou a outra reflexão, o valor dos looks.

Todos associam moda a luxo. Quem trabalha no setor diz que isso não existe, até que apareça alguém com uma peça de roupa de uma fast fashion qualquer e todos façam cara de nojinho – Você, que trabalha na área, deve estar dizendo: “Claro que não é assim!”, mas pense bem e verás que é assim,sim -, essa é a nossa realidade. As blogueiras usam looks caríssimos, sejam eles presente de alguma marca ou não. Comprar produtos de luxo é sempre bom, mas tudo tem um limite. Não faz sentido uma t-shirt básica custar R$300,00. Não faz sentido um short custar R$4.000,00. E sabe o que faz menos sentido? Os consumidores aceitarem esses preços. Quando a peça é importada, consideramos as taxas (exorbitantes) de importação, mas e quando não é? Não deveríamos aceitar esses preços, não deveríamos pagar por esses preços.

As blogueiras exibem um padrão de vida que não se encaixa na realidade brasileira. Com isso, muitas meninas, que não percebem isso, querem uma vida igual a dessas blogueiras. Criam blogs, se endividam, tudo em busca de atenção. Sendo assim, não vemos criatividade e sim, uma cópia de looks. Um grupo (grande!) de leitoras começou a achar que o normal é usar short de R$4.000,00 e t-shirt de R$400,00. Não é. Esse é um privilégio de uma pequena parcela da população.

Os preços absurdos, em tese, são culpa dos impostos (rolou até protesto, por parte dos estilistas, na SPFW). Segundo dizem, 54% do valor de todas as peças é só imposto. Pra mim, vai além! É muito estilista nacional achando que é “Chanel” ou “Yves Saint-Laurent”. Não estou desmerecendo os estilistas brasileiros. Acho que fazem um bom trabalho, mas o “sucesso sobe à cabeça” na hora de determinar o preço das peças. Pior ainda são as marcas recém-chegadas ao mercado, com peças feitas de material barato, querendo cobrar caro. Não é assim que a coisa deveria funcionar. Paga-se caro por cópias. Falta identidade (cultura brasileira) na moda nacional. No Brasil, pagar caro é sinal de status (pra mim, é sinal de burrice mesmo!). As pessoas não questionam os preços, é “feio”. Feio é não questionar.

Moda não é sobre preços. É sobre inspiração, criatividade, arte!! Pagar caro não significa estar na moda, muito menos copiar. Procure por novas fontes de inspiração, vá além dos blogs e revistas, entre em novas lojas, ultrapasse preconceitos!

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