Sobre trabalhar em semanas de moda

por Alexia Chlamtac

É a milésima vez que tento escrever esse post. Começo bem, mas acaba virando um desabafo, um texto deslumbrado, emocionado, de alguém que ainda não se acostumou com o que faz.

 

Meu amor pela moda é antigo, começou quando eu tinha 9 anos.  Por aqui, tem paixão também. Um desfile é capaz de me deixar de mau humor (principalmente, quando gosto da marca) ou me deixar feliz pelo resto do dia. Tem desfiles que me deixam arrepiada e toda a calorosidade do ‘público’ ao fim do show, me faz derramar lágrimas e abrir um largo sorriso. Começo a imaginar toda a felicidade dos estilistas, da sensação de missão cumprida e fico feliz junto.

Assistir a desfiles é sempre muito bom, mas moda não é só isso e trabalhar com moda, não é fácil. Não existe glamour nenhum. As pessoas são mau educadas -o que não te dá o direito de ser mau educado de volta- se você não trabalha para dois veículos importantes (não citarei aqui), sua vida fica dez vezes mais complicada. Entrar em um backstage pode ser impossível. São muitos os fotógrafos que ficam sem as fotos que precisam. Eu entendo, tem horas que fica tudo muito corrido, um desfile atrasa, o cruzamento não chega (quando as modelos saem de um desfile para o outro) e ainda tem um monte de jornalistas e fotógrafos querendo entrar pra fazer beleza, arara, fila, entrevistas. Não vai dar tempo. A correria explicaria a falta de bom humor de uns e outros, mas aprendi que não existe justificativa para falta de educação e são poucas as pessoas educadas por ali, mas essas poucas compensam todo o resto. Basta um sorriso, um elogio, pra que você volte à correria mais empolgada.

Corre pro backstage, mandam esperar e ta calor. Você volta correndo pra sala de imprensa, ta gelado. Vai correndo pra  sala de desfiles, que te faz tremer de frio. O desfile atrasou. Sai correndo da sala 1 pra sala 3 –e é longe, muito longe. Os fotógrafos no PIT se atropelam. Você corre de um lado pro outro o dia inteiro, do calor pro frio, do frio pro calor.  Quando o dia chega na metade, começa a desejar sua cama e um prato de comida (como criança desnutrida- ninguém sobrevive por uma semana com sanduíches minúsculos, cachorro quente geneal e coca-cola). O máximo que você consegue é passar em casa, trocar de roupa e ir pra festa de alguma marca (não que você queira, mas é bom socializar). Quando chega em casa, provavelmente vai ter algo pra fazer e só vai conseguir dormir no meio da madrugada. Acordar cansada e enfrentar mais um dia corrido. No fim, estão todos gripados e exaustos. Não pense que vai dar tempo de se recuperar, não. Na segunda-feira, todos estão de volta ao trabalho e logo em seguida, tem SPFW. Quando tudo acaba, estamos querendo que comece de novo. Porque por mais estressante que seja, a gente ama o que faz – e quem não ama, deveria estar fazendo outra coisa.  As pessoas maravilhosas que conhecemos no meio de tanta loucura, fazem valer a pena. Um vai ajudando ao outro e assim, chegamos ao fim.

Fotos: Reprodução/Alexia Chlamtac

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