Peguei nojinho!

por Alexia Chlamtac

Quando vejo muitas vezes uma mesma coisa, pego nojinho. Sou assim com tudo na vida. Amo, passo a respirar aquilo, daí canso e deixo de lado. Não sei medir. Não consigo amar pela metade nem odiar um pouco. Além disso, nada é permanente. Posso odiar hoje, mas amanhã posso amar. É o que ta acontecendo com tudo aquilo que é ostensivo, tudo o que carrega um monograma. Tô odiando.

Muito se fala no “boom” dos blogs e em suas consequências. Nunca me incomodou tanto. Antes ter a bolsa “x” significava que você tinha dinheiro, mas também que você era elegante, com boas referências. Hoje, significa que você quer aparecer, que vai vender a alma por uma bolsa. Existe também a facilidade atual de viajar e comprar coisas antes impossíveis. Uma bolsa da Louis Vuitton hoje, fora do Brasil, custa o preço de uma bolsa da Arezzo, por exemplo. Basta colocar os pés dentro de um shopping pra ver 6 entre 10 mulheres com uma bolsa LV (falsificada ou não). De todos os modelos. Antes, ter a bolsa “x” significava também que você queria exclusividade. Hoje, que você quer ser aceita por um grupo “y”. Se você comprar uma blusa na Zara, vai encontrar menos irmãs dela do que da sua bolsa Louis Vuitton.

Não quero dizer que antes dos blogs já não existia uma massificação, mas que eles pioraram. Eles popularizaram as tendências. É ruim? Não! O problema é que as pessoas pararam de questionar se aquilo é bom ou não pra elas, se cabe ou não no bolso, se tem ou não a ver com o estilo. Seguir determinada tendência, é estar na moda. Comprar a it bag do momento é se sentir incluída num mais seleto, digamos assim. Porém, com a facilidade ($$$) em comprar algumas dessas it bags, as pessoas perderam a tal exclusividade que era procurada em bolsas de grandes marcas. Li em algum lugar, há uns dois ou três anos atrás, que a Chanel aumentou os preços de suas bolsas para evitar a popularização. Sinceramente, achei incrível a ação da marca.

Hoje em dia, só respeito quem eu sei que comprou a bolsa pelo que ela é (seja beleza, história ou qualidade) e não pela marca, “etiqueta”. Chega de logomarca e deslumbramento!

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