Desabafo do dia

por Alexia Chlamtac

(post de carater extremamente pessoal)

A vontade de escrever se esvaiu, com isso o número de posts foi reduzido a quase zero. Um erro imperdoável, eu sei. Os motivos são muitos, mas o principal: decepção.

Meu interesse por moda veio quando eu ainda tinha 9 anos, quando vi minha prima, que na época estava terminando a faculdade de moda, desenhando alguns croquis. Foi paixão a primeira vista. Porém, eu ainda era muito pequena, não dava muita atenção ao assunto. Lá pelos 14 comecei a ler Vogue e Elle, depois blogs de moda. No ano passado, a coisa ganhou força, uma amiga deveras importante também tinha interesse pelo assunto. Em setembro, criei o N’est pas la même chose, que em janeiro desse ano virou Tribo Fashion. Novas pessoas, alguns estágios, muitas decepções.

Ver que a maioria das pessoas escolheu a profissão porque gosta de se vestir ‘na moda’ ou porque é ‘fácil’ era o que mais me incomodava, mas percebi que é mais comum do que parece. O problema são as consequências disso. Conheci gente que poderia fazer qualquer coisa, até ser assistente de juiz em jogo de futebol. Posso contar nos dedos de uma só mão o número de pessoas que trabalham com paixão. São pessoas desinteressadas, fúteis, sem interesse por outros assuntos, isso, pessoas sem assunto. Acham que moda se resume a comprar roupas, revistas, maquiagens. É lógico que faço isso também, até por que quem é que não gosta de comprar??? Mas moda não se resume ao consumismo exacerbado. Não bastasse a falta de paixão, ainda são preguiçosos, prepotentes, abusados, acomodados, aproveitadores, interesseiros. Mimados que não querem fazer o trabalho e passam para algum idiota (estagiário/assistente/secretário, pode escolher o nome). Mandar é fácil.

Tudo tão boring, caiu na mesmice (se é que um dia saiu). Vemos editoriais feitos às pressas, óbvios. Chamam um stylist com nome conhecido, montam qualquer coisa, sentam a modelo em algum banco ou então mandam ela segurar alguma coisa, fazer meia dúzia de poses e pronto. É literal demais. Não tem criatividade. Você não tem que pensar para entender/traduzir o editorial, porque não tem uma história, não está associado à arte,ao lúdico, apenas ao comercial. É quase “faz algo mais ou menos que ta bom”. Uma assessora uma vez me contou: “editorial não vende”, alguém avisa aos editores? Obrigada. Quando o mais ou menos basta, é sinal de que a coisa está muito errada e alguém precisa consertar.

 

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