A banalização de tendências

por Alexia Chlamtac

Como adaptar tudo aquilo que vemos em blogs sem cair no “igual”? Qual o problema das tendências? Por que as tendências acabam incomodando as pessoas? Qual a culpa dos blogs nisso tudo? Continue lendo e você descobrirá (fuén, odeio textos que dizem isso, kkkk).

Há uns cinco/seis anos atrás, meninas desocupadas (é mentira, ta gente?) com uma paixão inconscientemente comum, a moda, criaram blogs para compartilhar a sua paixão com outras pessoas ou só por diversão mesmo. Hoje, atingiram um patamar de sucesso graças a essa “brincadeira” inicial.  Por serem “pioneiras” e competentes. Hoje em dia, o número de blogs de moda sai do controle (você está lendo um agora mesmo) e por consequencia, a qualidade cai. Porém, isso não é suficiente para propagar em grande escala única coisa que interessa: informação. Seja de forma torta, seja com um texto ruim, má produção ou foto de baixa qualidade, sempre tem uma informação de moda ali por trás.

A informação foi democratizada. Primeiro com as revistas de moda, que talvez não caibam no orçamento de famílias com renda mais baixa porém, acessar um blog é possível. E aí começa, porque se você lê um blog vai ler outro e outro e muitos outros. E resolve criar o seu próprio blog para partilhar e organizar os seus conhecimentos. A internet democratiza a informação, as tendências. Você pode gastar mais de R$100,00 em uma única revista internacional (de moda), sendo que uma mensalidade de internet pode sair pela metade desse preço e você pode acessar milhares de blogs internacionais de moda, de cantos diferentes do mundo, com estilos diferentes. Vale muito mais a pena, certo? O único problema é que geralmente, não são pessoas formadas, com preparo para  opiniões mais “sérias”. Portanto, revistas ainda são mais recomendadas quando alguém procura uma opinião mais crítica e menos pessoal.

Com essa democratização de informações, um maior número de pessoas adere as tais tendências nomeadas pelas blogueiras como “tem-que-ter”, “must-have” ou qualquer outro sinônimo “ditador”. Com isso, as pessoas acham que o certo é usar a “calça skinny vermelha” ou a “saia longa de oncinha” ou então “vermelho + oncinha”, e que variações são erradas. O que acontece? Você chega em um Fashion Rio da vida e 9 entre cada 10 garotas estão usando vermelho  ou oncinha, parecendo estarem todas uniformizadas: o exército das leitoras de blogs. Sou contra a democratização de informação? A velocidade como as coisas chegam? De maneira alguma, sou super a favor porém, me incomoda ver todo mundo igualzinho, sabem!? Ultimamente, ando preferindo errar do que acertar estando uniformizada. Pensem no blazer rosa pink da Chiara Ferragni (The Blonde Salad), comprado na Zara e que todas as blogueiras nacionais querem. Começa por aí: a maioria das blogueiras nacionais (não são todas, que fique claro), copiam Chiaras e Andys e Bettys da blogosfera internacional. Entendo que seja uma questão cultural, não temos o hábito de ousar (e ousar não é sair com bunda de fora), os olhares na rua são muitos, encarar tudo isso não é para qualquer uma. As informações deixaram de ser adaptadas e passaram a ser copiadas. Tendências são informações visuais, aquilo que você deve adequar ao seu estilo pessoal e não imitar. Ok, você gostar de determinada peça, mas quando vejo 10 pessoas querendo comprar a mesma peça, fico com um pé atrás. Principalmente, quando a pessoa compra porque tal pessoa usa e aproveita para copiar todo o modelito, por que não ajustar ao seu estilo pessoal?

As tendências são banalizadas por não sofrerem ajustes, apenas transportes (de um corpo para o outro). Quando as pessoas passarem a ver > interpretar > usar, tudo melhorará. Até lá, que venha a enxurrada de turbantes.

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