De dentro pra fora: a história da lingerie

por Alexia Chlamtac

Poderia ser um texto de auto-ajuda, mas não faz o meu estilo, nem combina com os assuntos abordados por aqui. O tema em questão é bem simples e faz parte do nosso dia-a-dia: lingerie -e toda a sua importância.

Foi lá atrás, segundo milênio antes de Cristo (põe lá atrás nisso!), que surgiu a lingerie, ou um ensaio dela. Era um corpete simples que sustentava a base do busto e evidenciava os seios (nus). Na Grécia, as mulheres usavam para esconder os órgãos íntimos quando iam se banhar nas fontes de Atenas.Já na Idade Média, surgiram os corpetes com cordas, que eram muito justos e apertavam os seios (não devia ser confortável!). Durante o século XV, as mulheres nobres do condado da Borgonha, passaram a usar uma faixa que além de sustentar o busto, dava a impressão de aumentar. Chegando no Renascimento, a coisa ficou um pouco tensa pro nosso lado, o corpete apertava o ventre, afinava a cintura de forma que as mulheres parecessem mais magras, além de deixar os seios com formato cônico. Além de apertar, possuem hastes (podia ser de madeira, marfim ou metal), que podiam chegar a pesar um quilo, imaginem só a tortura. Muitas mulheres chegavam a desmaiar por falta de ar. Graças a deus, alguns médicos começaram a criticar esses corpetes, pois podiam levar até a morte. Primeiro, veio o culo, que era uma espécie de calça que diminuía a mulher na frente e aumentava atrás e bom, tinha um espartilho tão apertado que era necessário duas pessoas para aperta-lo. E depois, a crinolina que eram armações revistas por crina de cavalo e que comprimia muito o corpo da mulher, levando aos desmaios citados anteriormente.

No século XVIII, algum ser iluminado facilitou a nossa respiração, substituindo o marfim e o metal por barbatanas de baleia. Foi nessa época também em que os decotes aumentaram e a confecção mudou, de forma que comprimisse a base do busto e evidenciasse os seios. Passaram a ser mais sofisticados, com bordados, laços, tecidos mais…rebuscados.

Em 1832, foi criada a primeira fábrica de espartilhos sem cortura e em 1840, espartilhos com cordões de elástico, assim a mulher poderia se vestir sozinha. Além disso, as roupas íntimas eram compostas também por calças que iam até o joelho e possuíam babados.

Mas foi a partir de 1900, que tudo começou a mudar mesmo! Os grandes estilistas Paul Poiret e Madeleine Vionnet, foram inspirados pelo estilo neo-oriental dos ballets de Serge de Diaghilev a criar silhuetas mais naturais. E foi Poiret quem determinou o fim dos espartilhos e corpetes, dando lugar a uma imagem de sensualidade e luxo.

Nos anos 20, a lingerie começou a sair da mesmice, ou seja, começou a ganhar novas cores, além do branco tradicional. Mas foi em 1929, com a queda da bolsa, que as fábricas passaram a usar novas fibras de forma que barateasse o custo da lingerie, já que as mulheres não tinham dinheiro sobrando nessa época. Em 1947, com o New Look da Dior, as mulheres ganharam sutiens que definiam os seios e cintas que escondiam a barriga e definiam a cintura. Nos anos 50 e 60, as fábricas passaram a se interessar pelas consumidores mais moças e com isso, surgiram novos shapes para os sutiens, que ficaram mais ousados, ganharam arames para sustentação. E o apse da ousadia, foi quando começaram a usar transparências e rendas nas roupas (não sei como a lingerie era sensual sem rendas e transparências, mas ok!). E no final dos anos 70 e início dos anos 80, a inspiração romântica tomou conta. E dos anos 90 pra cá, são diversos shapes, cores, tecidos, estampas, podendo usas peças inspiradas no passado. Tudo virou uma grande brincadeira.

 

 

 

 

 

 

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