Da onde vem as tendências? E aonde os blogs entram nisso?

por Alexia Chlamtac

Existem sites como o Stylesight e o WGSN que são especializados no estudo de tendências. Como assim? Existem escritórios espalhados pelo mundo todo responsáveis por analisar o “comportamento” da população. Isso é uma profissão e quem faz isso é chamado de cool hunter. O cool hunter tem a missão de captar as tendências futuras, informar ao escritório, que após análises e mais análises, vai disponibilizar o conteúdo para as marcas. É possível dizer o que vai ser tendência daqui há dois anos, através de estudos bem profundos. Agora, o que eles analisam? As ruas, street style. E quem copia o quê? Se o cool hunter capta a informação das ruas, repassa para o escritório, que envia para as marcas lançarem “tendência”, as tendências vêm da rua.

Muitos dizem que a grife “blablablá” lançou a tendência “x” ou “y”, quando na verdade, o que está acontecendo ali é um abastecimento proporcional ao desejo do consumidor. As tendências estão entre nós, no nosso cotidiano, mas não somos aptos a perceber isso, o cool hunter faz esse trabalho e a grife “blablablá”, associada as revistas aonde ela anuncia, faz com que eu, você, sua mãe e todo o resto acredite que quem está lançando a tendência é a passarela. Quando a realidade, é que somos nós os ditadores de tendência, o que a população “cool” (os observados) está usando, vai nos influenciar e assim por diante.

Há cinco anos atrás (talvez menos, talvez mais), a informação chegava através de revistas e alguns sites de moda. De uns 5 anos pra cá, surgiram os blogs de street style (como Garance Doré, The Sartorialist, Stockholm Street Style , Face Hunter e por aí vai) que passaram a nos manter atualizados com as tendências, a partir de fotos tiradas quase que diariamente.  A informação parou de chegar mensalmente, “ditada” por revistas e começou a chegar todos os dias de todos os cantos do mundo. Viramos cool hunters. Passamos a analisar as tendências por nós mesmos e ser influenciados por blogs de estilo.

Após o Fashion Rio, tive certeza de que precisava escrever isso aqui, tudo o que eu estava vendo nas passarelas, não era novidade. Era uma síntese do que eu já vinha vendo nos blogs. Estavam apenas divulgando, para depois comercializar em grande escala, o que nós já conhecemos e consumimos.

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