Arezzo: O que eu acho.

por Alexia Chlamtac

Ocorreu um bafafá no twitter: a coleção pelemania da Arezzo. Ativistas de todos os cantos do país começaram a protestar no twitter, o “caso” logo foi parar nos Trending Topics (os assuntos mais comentados), onde permaneceu por alguns dias. Após o assunto repercutir de forma muito negativa, a marca de calçados enviou um comunicado informando que retiraria de suas lojas todas as peças com pele animal (apesar de serem  peças autorizadas), o que já aconteceu.

Existem aqueles mais radicais, existem os que são contra o protesto, os que dizem que antes deve-se lutar para combater a fome e o trabalho escravo. Opiniões são muitas e vêm de todos os lados, num português “popular”: opinião é que nem bunda, cada um com a sua. Sabemos bem que os mais radicais não aceitam que suas opiniões sejam contestadas, e isso foi o que mais me incomodou. Na verdade, muita coisa me incomodou e que joguem pedras em mim, o que menos me incomodou foi o fato de uma marca brasileira criar uma coleção com pelos de animais (continue lendo e você vai entender). Acredito que para criticar uma girafa, por exemplo, não podemos fazer nada inferior a girafa. O que quero dizer com isso!? Não adianta uma fashionista amar o uso de casacos de pele da Chanel, da Dior ou de seja lá quem for, mas quando for uma marca brasileira reclamar. O erro maior não foi da Arezzo, foi do IBAMA, do órgão responsável pela defesa de animais, quem autorizou o uso das peles. Assassinato dos animais autorizado; erro de quem compra, mas esse é um direito de cada um, parte do senso ético que existe dentro de cada um -e senso, pra mim, é algo particular, cada qual tem o seu. O que me irrita é a hipocrisia das pessoas, é óbvio que o movimento no twitter foi maravilhoso, um passo muito interessante, porém acreditar que isso vai resolver algo em grande escala é ingenuidade. Que me perdoem, mas o que é o Brasil, em questões de moda, no mundo? A gente não dita nada! Se a Arezzo produziu peças com pelo, não foi porque  alguém da família Birman (sim, a do Alexandre Birman, responsável pela Schutz) acordou com vontade de produzir peças com pele de raposas. Basta ver fotos dos últimos desfiles das semanas de moda, tem pele em quase todos, peles foram alertadas como tendência. Como já falei por aqui, o Brasil não dita tendências, o Brasil segue tendências, o que é bem diferente.

A forma como retiram a pele dos animais, é realmente horrível, algo que prefiro nem comentar. Porém, o fato reivindicado é: a morte de animais, a morte de animais para uso supérfluo. Ok, pele não pode, mas sapato de couro, pode? Bolsa de couro, pode? Cinto de couro, pode? Partindo do princípio, não, não pode. Mas todo mundo usa, há anos, e ninguém reclama, por que? Qual a diferença? É isso o que me irrita. O couro pode, o pelo/pele não pode. A grife internacional pode, a Arezzo não pode. Só acho que estão condenando a marca errada. Quando vou criticar esse tipo de coisas, penso: tenho moral para criticar a tal marca? Geralmente, a resposta é não. Não só marcas, como atitudes também. Então, não critico. Uma vez, uma coordenadora do colégio, disse em minha turma que quando você aponta um dedo para alguém, outros três estão voltados para você. Sempre penso nisso. E acho que todos devemos pensar bem antes de criticar a Arezzo. É um bom passo, mas não é criticando ela e deixando de criticar grandes grifes, com uma visibilidade muito maior, que vamos conseguir resolver. E mais do que isso, antes de criticar a Arezzo, devemos analisar nossas atitudes.

E antes que me matem, eu sou contra o uso de peles em qualquer lugar. Peles fakes podem fazer o mesmo efeito, sem matar bichinho nenhum.

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