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por Alexia Chlamtac

“Estilo é algo pessoal. Não existe multidão a se seguir. Não existem regras. Não existem estações. O estilo vem de dentro. Se existe algo de absoluto em relação ao estilo é o fato de você ser responsável por si mesma o tempo todo. Você precisa ter confiança em quem é antes de estar completamente à vontade para se apresentar ao mundo exterior. A forma como você se apresenta é importante e está intimamente ligada à sua personalidade. Sempre que veste uma roupa, você revela algum aspecto de sua identidade. Com estilo, você diz ao mundo quem você é ou, pelo menos, conta a história de quem gostaria de ser naquele dia em particular.”

(O livro negro do estilo – Nina Garcia)

“Acredito que estilo pode ser a melhor expressão do caráter de alguém, uma legítima ressonância do que somos. Para mim, como sempre digo, viver com mais estilo significa transformar a banalidade da existência em experiência original, exclusiva, não importa a idade que você tenha. Aliás, na medida em que o tempo vai passando, a mulher deve cada vez mais apurar e refinar o seu estilo.”

(Confidencial: segredos de moda, estilo e bem-viver – Costanza Pascolato)

Esse poderia ser só mais um texto qualquer sobre estilo, mas não é, tem valor sentimental. Não, não vou falar de nenhuma mulher conhecida pelo mundo da moda, mas muito conhecida por mim. É um blog pessoal, portanto posso colocar um texto desses aqui, além do mais não vou fugir tanto assim do assunto-base: moda.

Desde pequena, tenho paixão por uma tia em especial: a tia Betty. Quando falo sobre tios, ela nunca é apresentada pelo grau de parentesco certo, tia-avó. Pensemos, a diferença de idade entre ela e a irmã mais velha (a minha vó) é de 17 anos, já a diferença para o sobrinho mais velho (meu pai) é de 8 anos, logo, é mais tia do que tia-avó, correto? Na minha cabeça -esquisita-, tia-avó é aquela tia chata, que você não faz a menor questão de encontrar, com assuntos chatos e presentes esquisitérrimos. Essa é a minha visão de tias-avós e esse é o contrário da minha tia Betty. Sempre mantive uma espécie de admiração secreta por ela. Não que eu não tenha liberdade para chegar e falar, mas odeio que achem que é bajulação ou que existe algum interesse por trás de um elogio, não é do meu feitio. Porém, hoje é um excelente dia para fazer um post que venho adiando há algum tempo, é aniversário dela. E antes que pensem que é Betty de Elizabeth, não, ela é Beatriz mesmo.

Estilo é segurança, certo? Isso eu posso garantir que ela tem. Não aquela segurança exacerbada, que perturba o juízo que está perto. É algo divertido, aquela pessoa que você vê de longe e tem vontade de ser amiga de infância. É divertida. Taí, algo que nunca vou esquecer na minha tia, o sorriso, a maneira como ela ri. Automaticamente, você tem vontade de rir junto, contagia. Ela não é uma senhora, apesar da idade, para mim ela é mais jovem que muita garota de 20 anos. É algo que ta na alma, tem frescor. Hoje em dia, é difícil achar uma pessoa que saiba se colocar, ela sabe. Sabe a hora de falar um palavrão- sim, ela fala palavrões e da forma mais corriqueira possível, sem parecer que está forçando algo, sem ser chamativo-, de corrigir. Opinião, personalidade forte, tudo aquilo que vemos numa pessoa estilosa podemos encontrar nela. Pra mim, a parte principal no estilo é o “interno” da pessoa, quem ela é de verdade. O interno da minha tia tem estilo, se assim posso dizer.  O estilo dela também é externo, imaginem uma senhora (que de senhora não tem nada), baixinha, com vestidos longos da Totem, coloridos. É ela! Quando vejo a minha tia usando vestidos midi, vestidos longos, o que for, parece que foi feito pra ela, ninguém sustenta aquilo melhor que ela. E estilo também é isso, sustentar uma imagem. Mas não só de vestidos coloridos a minha tia é feita, ela é muito mais listras do que coloridos. Quer fazer os olhos da minha tia brilharem? Listras! Ela fica linda de listras, tem mil peças listradas. Ela tem estilo até com uma calça jeans e seu tênis que te deixa com pernas de Olivia Palito (a namorada do Popeye), ela se sente confortável, ela faz você ter vontade de usar um tênis igual. Até a amarração do tênis dela é diferente, hahah. Lembro-me de um dia em que tinha saído de casa e encontrei a minha tia na esquina de casa, com um suéter rosa bebê, mas não aquele rosa bebê feio, um rosa meio salmão, enfim, ela estava linda, não tinha nada de muito importante ali, mas ela estava linda. O mais simples ou o mais elaborado, sempre fica lindo, quando escolhido por ela. Acho engraçado quando ela elogia o estilo de uma mulher como Constanza Pascolato ou Chanel (ícones de estilo de qualquer mulher que se preze), elogia a elegância das duas, como se fosse algo complicadíssimo de ser alcançado, na minha cabeça, ela já alcançou a muito tempo.

Penso em Beatriz Machado Bona e lembro de coca-cola, paçoca, programa do Jô, madrugada, acordar tarde, saquê, champagne, japonês, viagens, Henrique VIII, Eleonor de Aquitânia, Elizabeth I. Lembro do simples e do chique, da arte de saber viver a vida. Sinto orgulho em conhecer essa mulher, mais orgulho ainda de ser sobrinha e poder vê-la uma ou duas vezes por semana. Ela está lá, na minha lista de mulheres que são ícone de estilo. Alguém que nasceu com bom gosto e frescor.

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