DNA da moda brasileira, por Dudu Bertholini

por Alexia Chlamtac

Continuando a série de posts sobre o workshop de Imagem de Moda, com o Dudu. Já devo ter comentado que ele começou o workshop simplificando a moda do século XX e logo em seguida, aproveitou para falar sobre a moda do século XXI. Explicado esses dois assuntos, Dudu Bertholini partiu para um assunto muito importante e que gera muitas discussões: o DNA da moda brasileira.

Segundo o estilista da Neon, esse tal DNA ainda está sendo construído, já que esse “cenário de moda” ainda é  muito recente no país. Ele ainda aproveitou para dizer que a moda nacional ainda não ganhou maturidade.

Foi nos anos 90, em que o cenário fashion começou a tomar forma por aqui, com a criação do Phytoervas Fashion, a primeira semana de moda nacional. Em seguida, o Phytoervas Fashion virou Morumbi Fashion e por último, a nossa querida São Paulo Fashion Week. Até então, o país não tinha uma semana de moda, os estilistas nacionais não tinham um espaço tão “grande” e notório para apresentar o seu trabalho, e foi graças ao Phytoervas Fashion que estilistas como Alexandre Herchcovitch, Reinaldo Lourenço, Gloria Coelho, Ronaldo Fraga e Walter Rodrigues, começaram a ganhar o destaque que conhecemos hoje em dia. Modelos começaram a ser profissionalizadas, jornalistas de moda, stylists. Os primeiros 10 anos serviram para a construção do profissionalismo e os próximos 10, servirão para a construção de identidade.

Os anos 90 foram um marco na moda do Brasil, tendo em vista que até a década anterior saber o que acontecia nas semanas de moda, era privilégio restrito. Ter acesso a informação de moda era para poucos.  Saber quais eram as próximas tendências, ler revistas internacionais, tudo isso, era de valor altíssimo.

As pessoas acreditam que “ser brasileiro” é ter a mulata sambando, a caipirinha, o jogo de futebol, precisa ser uma caricatura da cultura daquele país. Dudu afirma que um desfile não precisa ser caricato e usa Pedro Lourenço como exemplo, o jovem estilista faz uma moda mais internacional, mas nem por isso perde a sua “brasilidade”. Fazer estampas, como a própria Neon faz, não significa ser identidade brasileira. “Negar a sua cultura é provinciano”, Bertholini exemplificou com compradoras do Nordeste brasileiro, uma das regiões mais ricas em cultura, dizendo que essas compradoras tinham vergonha em usar a renda da Região, o artesanato, e que isso seria provincianismo. São esses elementos que demonstram a identidade brasileira, sem ser óbvio em excesso. Devemos ter orgulho, mas não estar presos a esse exagero óbvio.

Dudu mostrou um exemplo de diferencial brasileiro: as nossas modelos, que revolucionaram internacionalmente, com uma atitude única do nosso povo, com as características exóticas presente no país, traços, maneira de se movimentar, a leveza da brasileira.

Os outros posts sobre o workshop:

Editorial – Workshop com Dudu Bertholini

Aprendendo sobre estilo com Dudu Bertholini

 

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