A nova C&A e sua parceria com Stella McCartney

por Alexia Chlamtac

Virou moda lojas fast fashion fazendo parcerias com grandes estilistas. Se não me engano, começou com Karl Lagerfeld (estilista da Chanel) fazendo uma parceria com a rede de lojas fast fashion (maravilhosa) sueca, a H&M. Já tivemos Valentino pra GAP, Kate Moss para Top Shop, Alber Elbaz (Lanvin) para H&M e por aí vai.

Já falei aqui da minha revolta com a moda nacional, e até essa história de estilistas famosos fazerem coleções para lojas Fast Fashion já pegou por aqui. Já tivemos Oskar Metsavaht (Osklen) para Riachuelo, em breve Cris Barros também para Riachuelo. Para C&A já tivemos Beyonce, Amir Slama, Maria Bonita Extra, Espaço Fashion, Isabela Capeto, Gloria Coelho e outras parcerias também. A C&A começou a investir pesado nessas parcerias e com isso, começou a chamar atenção do público fashionista (primeira coisa que começou a chamar a minha atenção).

A inauguração da flagship no Shopping Iguatemi, em São Paulo, foi outra coisa que chamou minha atenção (e do mundo fashion). Workshops com Julia Petit (do Petiscos), Lia (do Just Lia) e Érika Palomino (uma das maiores jornalistas de moda do país). A organização da flagship é incrível e a decoração toda bem pensada. Logo de cara, imaginei que essa organização seria exclusividade da flagship, mas não, senti que as outras lojas ficaram mais “bonitas” também.

A nova aposta da marca, foi em uma parceria com a estilista inglesa Stella McCartney. A parceria já deu o que falar. Primeiro: os preços; Segundo: ter que fazer um cadastro no site para conhecer as peças antes (e lutar com mil mulheres enlouquecidas).

Primeira coisa que me agradou: convidar blogueiras para conhecer as peças primeiro. Mais um indício de que a marca está querendo entrar cada vez mais nesse mundinho fashion, e mudar o seu público.

Muitas foram as que reclamaram do preço do blazer (todo mundo diz que é blazer, pra mim é um casaqueto) da foto acima. Concordo. Primeiro comentário que fiz, foi: “isso é preço de Zara e não de C&A.”. Tudo culpa da minha santa ignorância e porque não pesquisei um pouquinho antes de pensar, assumo. Se pensarmos que os paetês foram bordados à mão, até vale. Mas aí você vai dizer: “É C&A”, ok, é C&A, mas os preços da C&A sempre foram pequenos devido à qualidade das peças. Se a qualidade sobe, o preço tem que subir junto. Eu mesma disse:”Teve coleção da Lanvin pra H&M e foi super barata”, e a qualidade péssima.

Além disso, vamos pensar, a C&A nunca agradou fashionistas de plantão, sempre sofreu preconceito. Quem fizer uma pequena análise, vai ver que as últimas parcerias já tinham a intenção de agradar a classe. Acho que até agora a única parceria que não foi bem sucedida, foi a parceria com a Beyonce, piriguetismo forte. Agora, a gente analisa as últimas coleções: vemos que pouco a pouco também estão mudando e tentando agradar aos fashionistas. Só que existe um problema, há décadas a C&A tem como público alvo um grupo não-fashionista e de uma classe mais baixa (não é preconceito, é uma constatação). Para mudar esse quadro e atingir um novo público alvo, não bastaria trocar as coleções, tem que mudar muita coisa no conceito da marca. E aos poucos eles vêm fazendo isso. Eles começaram com as parcerias, depois as próprias peças começaram a mudar, a arrumação das lojas, o contato com blogueiras e agora, os preços. Todo mundo sabe, que existe lá no fundo uma dose de preconceito fashion com lojas “mais baratas”. Não é hype se vestir nesse tipo de loja, mas até isso já está mudando, pouco a pouco porém, por enquanto ainda não é bem visto. Digo isso, sem medo, porque eu também fazia parte dessa camada preconceituosa que não via bem a C&A (e outras), mas há alguns meses que venho observando com mais cautela o que a marca vem produzindo. Além de estar observando, também estou me surpreendendo positivamente. Tive certeza que a marca estava querendo mudar de público, quando vi o frisson na minha timeline, todas queriam ver a tal coleção da Stella McCartney, foram uns quatro dias inteiros onde só se falava disso. Quando isso acontece, todos os seguidores dessas pessoas passam a prestar atenção junto, ansiosos. É, a coisa surtiu efeito. Além disso, eles aumentam o bafafá ao demorarem a colocar as peças à venda (só no final do mês).  Os clientes ficam naquela expectativa, aumenta a falação, a divulgação via boca a boca acaba aumentando. A jogada de marketing foi certeira.

Outra coisa que acho muito interessante, são essas coleções exclusivas para a flagship, como a nova parceria com o Amir Slama (foto acima).  Gera uma exclusividade maior às peças. Você vai ter acesso as peças de um dos maiores estilistas de moda-praia do país por um preço muito mais acessível, mas não vai correr o risco de ver o país inteiro usando aquela peça, já que vai ser exclusividade de uma única loja da rede. Além disso, são 53 itens diferentes, essa quantidade de opções só ajuda a ter um número menor ainda de mulheres com o mesmo biquíni igual. Além disso, é uma coleção que vai conquistar o coleção de qualquer fashionista que se preze. Toda inspirada no animal print, hype entre 11 a cada 10 fashionistas e blogueiras.

Imagens: Divulgação

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